Clássicos - Kafka, O Processo
Publicado em 12 de fevereiro de 2008 na categoria direito, livros, opinião.
Uma de minhas metas para 2008 é ler mais e com mais qualidade. E como estou no último ano da faculdade, achei uma boa ler os chamados livros clássicos do Direito, aqueles que nos recomendam no primeiro ano da faculdade, mas que só temos maturidade para entender no último.
Decidi começar pelo livro “O Processo”, de Franz Kafka. Sem razão lógica na escolha, apenas porque foi o primeiro que vi pela frente e gostei da sinopse.
A versão que eu li foi uma da L&PM que me custou exatos R$ 13,00 no Submarino.
A primeira impressão que eu tive foi que, definitivamente, eu não estava à altura do livro ou algo do tipo. Leitura difícil, complicada, voltava tanto os parágrafos que posso dizer que li o livro duas vezes.
Em resumo, o livro conta a história de Josef K., que no dia de seu aniversário acorda com dois supostos oficiais de justiça no seu quarto informando de que ele, Josef K., está preso. Não dizem quem são, não mostram quaisquer documentos, não informam sequer o motivo da prisão. Apenas dizem a Josef K. que ele está preso.
Mas é uma prisão estranha. K., pode fazer o que bem entender. Pode ir trabalhar, pode dar uns pegas na vizinha, pode andar pela rua tranquilamente, mas está preso. (?)
K. o tempo inteiro se diz inocente, mas não sabe do que é inocente. Ele vai ao fórum, que é bizarro, fala umas besteiras para o juiz e consegue, sabe-se lá como, piorar a sua situação. Situação esta que ninguém sabe qual é. Afinal, o processo é inatingível. Segredo de justiça ao extremo, nem o réu pode consultar os autos!
O que fica é que sabemos que existe um processo contra ele. Provavelmente um processo criminal. Mas ninguém, nem o próprio réu (e provavelmente nem Kafka), sabe do que está sendo acusado.
Pelas notas de rodapé do livro (aliás, sem elas eu teria entendido menos ainda), percebi que eu deveria ter primeiro lido outras obras de kafka, chamadas “Carta ao Pai” e “A Metarmofose”, para ter entendido melhor a trama kafkaniana por trás de “O Processo”.
Para encurtar: Josef K., fica um tempo tentando entender porque está sendo processado, depois desencana. Ele cai na real que contra ele existe um processo, e que está numa situação muito, muito difícil. Seu tio sabe que K. está ferrado, e pede a um amigo advogado para que cuide da defesa do sobrinho. O advogado parece bom, mas K. dá uns pegas na empregada e despede o advogado sem motivo aparente, tomando conta da própria defesa. Aí pede ajuda pra um pintor do tribunal (isso mesmo, um pintor) que não ajuda nada. Aparentemente o pintor, assim como outros personagens, são capazes de corromper os juízes, ou algo do tipo.
No final, Josef K. é executado com uma facada no peito (sem direito a recurso da decisão condenatória) e diz as palavras mais absurdas ao se dizer quando morre: “Como um cão.”
Ah, esqueci de dizer que o livro não foi terminado por Kafka. Ele riscou algumas partes, deixou incompletas outras. As partes riscadas pelo autor estão no fim do livro. Pelo que entendi, Kafka morreu sem terminar o livro, e um amigo dele o publicou.
Fiquei indignado com o livro e resolvi assistir o filme. O livro deve ser bom, eu é que não entendi, pensei. Afinal, o filme era com Anthony Hopkins, atorzaço!
O filme retrata bem o livro, eu é que não entendi nada mesmo. O filme não ajudou. Nem lendo a wikipedia eu entendi algo.
Procurei na internet alguns relatos e vi que muita gente simplesmente ama kafka, que a obra é perfeita, que o livro é sensacional, que “O Processo” segue a melhor linha de Kafka e blablablá.
Me senti um idiota e desisti de Kafka. Ainda não tenho Q.I. (Quoeficiente de Inteligência) suficiente pra entende-lo.
14 comentários
Gabriela comentou em 12 de fevereiro de 2008, 10:42 PM:
Também sou estudante de direito, mas estou recém no 2º ano. Me identifiquei muito com teu post! Também li O Processo e não entendi bulhufas, me senti incapaz e minha auto-estima cavou buraco no chão. Entretanto Carta ao Pai e Metamorfose são muito bons, e dá pra entender tranquilamente! Não desista do Kafka, haha. Beijão!
Van comentou em 14 de fevereiro de 2008, 09:51 AM:
Realmente, leia metamorfose e depois O castelo, aí vc vai entender até quem é o K. Recomendo Kafka, eu adoro! O problema é que vc começou do fim eheheh.
Te amo mtu.
Beijos
Má comentou em 15 de fevereiro de 2008, 11:25 PM:
Hahahahahaha!
Fazendo uma comparação barata, eu pareço o K. nas aulas de penal e processo penal que vc tanto gosta: não entendo nada, não sei porque estou ali, quero que aquilo acabe o mais rapidamente possível e, no final, levo uma facada…
Beijos Dan
Lay comentou em 24 de fevereiro de 2008, 10:33 PM:
Eu achava que tinha entendido, mas depois de ler seu post realmente fiquei com dúvidas… rs
Gostei do blog =]
Geraldo comentou em 29 de março de 2008, 09:38 AM:
Cruel é quando a gente se torna vítima de processos exatamente iguais ao relatado no livro de Kafka: descobrir que o ser humano, tendo chances de praticar monstruosidades, garantido pela impunidade, não passa de um verme cínico e assassino, é repugnante, triste…
Que os filhos destes crápulas, monstros, um dia os desmascarem…
Um abraço a todas as pessoas decentes deste país.
cecilia comentou em 30 de março de 2008, 06:06 PM:
pensa nas mulheres do filme como sendo leis.
o advogado tinha uma do lado, o processo tinha a própria lei (a mulher de vermelho vizinha) e etc. a idéia se reforça quando o josef abre os livros do tribunal e só tinham mulheres dentro dos livros.
o pintor é como se fosse a jurisprudência. a jurisprudência, como é uma decisão reiterada fez-se da análise de várias leis. por isso várias mulheres. e por isso que ele pede ajuda pras mulheres e elas falam “vc tem que confiar em mim” e essas coisas, e elas falam que tão ali pra ajudar.
quanto ao motivo, diz meu professor que o motivo era o josef ser rico e capitalista e contestar o sistema no regime autoritário que ele vive. mas sei não, porque afinal o foco era o próprio processo e só.
espero ter contribuído com algo ![]()
Rodolfo comentou em 18 de abril de 2008, 01:23 PM:
Para quem não quiser gastar o $$ da cerveja com esse livro, recomendo entrar no http://www.4shared.com, colocar no “search” o título do livro ou nome do autor e em seguida fazer o download na faixa das obras disponíveis.
Abraço
Eduardo Lùcio Guilherme Amaral comentou em 3 de maio de 2008, 12:11 AM:
Meu caro estudante de direito.
Acredito ser um erro incluir este livro como um clássico do direito. Não tem nada a ver.
Respondendo às suas dúvidas:
- K. está realmente preso ao Processo de sua consciência. A liberdade física não o torna mais livre. Sua mente está obcecada.
- O Processo, como já dei a dica, é o de sua consciência. Percebeu que K. nunca admite qualquer culpa? Ele não tem capacidade para tal. Enquanto não fizer isso, não pode realmente libertar-se.
- Todos fazem o possível para que K. sinta-se culpado, sem sucesso. Aì, um paradoxo: por que K. quer a absolvição se não cometeu nenhum pecado. É isto que o pintor Titorelli quer dizer-lhe.
- Percebeu que, a justiça raramente o procura, mas que, na maioria das vezes, é K. quem procura a justiça. Ele sabe que tem que expiar seus pecados, sabe que tem que sofrer por eles, mas, ao mesmo tempo, não reúne forças para declarar-se culpado.
- O judaísmo de K. num ambiente católico explica esta questão moral.
cassio comentou em 22 de maio de 2008, 01:59 PM:
É triste pois,o livro é interessante mais a escrita é demais complexa para o entendimento.
Meu Deus…
misael galindo comentou em 21 de agosto de 2008, 08:55 PM:
Vocês não estão entendendo nada! Desistam, fechem os livros ou então reflitam sobre o que é Literatura, Filosofia. Minha gente, vamos pensar!
diego comentou em 5 de setembro de 2008, 04:06 PM:
oi!
De acordo com o texto, gostaria de saber a função simbólica do crime e a ausência da segurança jurídica!
espura sua resposta no meu e-mail
obrigado!
Tah comentou em 7 de setembro de 2008, 09:44 AM:
Nossa.. ri muito ao ler seu post!
Meu prof de criminologia me passou um trabalho sobre esse livro!
li… e não entendi nada!estava até pensando se realmente tinha q seguir essa carreira ! hahaha (momentos de loucura)
Mais digamos que minha auto-estima mehorou depois de ler váriossss comentarios sobre ele!
E em cima da sua sinopse vou fazer o meu trabalho! dede já agradeço!
Abraços!
Lillian ka comentou em 7 de setembro de 2008, 11:03 AM:
oi oi..
encontrei seu post procurando por alguma coisa no google p escrever no meu trabalho de criminologia a respeito do livro do kafka…
mas axu q nos encontramos na msm situação..
ainda n tenhu QI p entender obras kafkanianas..rsrsrs…
ate mais!
Tem algo a dizer? Comente!
Só não se esqueça de manter o bom senso e o bom português ao comentar.



Carlão comentou em 12 de fevereiro de 2008, 05:15 PM:
Cara, eu ri muito lendo seu post!
Deu vontade de ler o livro só pelo seu relato hauhuhauhauhau…
Me lembrou quando eu tentei ler o livro do kelsen e parei nas primeiras páginas.
Abraço