Argumentandum

Voltamos em 2009

Publicado em 24 de dezembro de 2008 na categoria geral.

Um feliz natal e um ótimo 2009, repleto de paz, saúde e sucesso!

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Bacharel

Publicado em 3 de dezembro de 2008 na categoria pessoal.

Confesso: sempre achei que seria engenheiro civil. É, engenheiro civil, daqueles que põe o capacetinho e vai pra obra. Tanto acreditava nisso, que resolvi fazer o ensino médio técnico em edificações, o que eu supus ser o primeiro passo para minha promissora carreira de engenheiro civil.

No entanto, traumatizei com o curso técnico. Eu tinha matérias específicas, das quais eu deveria gostar, mas eu odiava. Materiais de construção, eletricidade, mecânica dos solos e desenho técnico definitivamente não eram pra mim. Tanto que eu “repeti de ano” em praticamente todas elas.

Voltei para o ensino médio “normal” no terceiro ano, agora sem qualquer noção do que seria de mim. Fiz uns duzentos mil testes vocacionais, cada um dava um resultado diferente do outro. Ora eu era o cara das exatas, ora das humanas ou das biológicas.

Meu pai, naquela época, estava acabando sua segunda faculdade, que era justamente Direito, e tentava me convencer que esse era o melhor caminho a seguir.

Eu tinha certo preconceito, claro. Para quem nada conhece, estudante de direito é aquele infeliz que vive com vários livros por onde vai, não sai de final de semana porque está estudando, e vive falando que quer ser juiz.

Diante da pouca idade, da pressão e da necessidade de se inscrever nos vestibulares, decidi que o destino se faria presente e decidiria por mim (ok, não é o melhor método de escolher algo, eu sei, mas eu não tive muita opção): me inscrevi em vários vestibulares, cada um para um curso diferente. Aquele que eu passasse, faria.

Acabei passando em dois: publicidade e propaganda e direito. Escolhi direito (trocadilho infame :) ) pois a pressão em casa já se acentuava e a faculdade era perto de casa (como eu ainda não dirigia, era uma mão na roda).

O primeiro ano foi uma porcaria. Eu não cursei Direito, eu cursei qualquer outra coisa, menos Direito. “Aprendi” economia, sociologia, metodologia, e todos esses “ia” que nada tem a ver com o mundo jurídico. A única coisa que me manteve na faculdade foi I.E.D., a matéria que eu mais gostava.

Já no segundo ano, quando tive matérias efetivamente jurídicas, descobri que o destino tinha feito a escolha certa, e que eu nasci mesmo para o Direito. É irreversível.

De lá para cá, quase nada mudou. Ainda sou incondicionalmente apaixonado por Direito, especialmente direito penal, embora tenha certo trauma de direito do trabalho. O “problema” é que agora a faculdade acabou.

Quando me diziam que “cinco anos passam rápido” eu não acreditava, mas passa muito, muito rápido. Ontem eu estava morrendo de medo de como seria a faculdade, e hoje eu estou saindo dela, formado.

Pior, estou saindo sem saber o que farei o ano que vem, assim como tantos outros amigos bacharéis. A primeira luta é, obviamente, o fatídico exame da ordem. Mas e depois? Advogo? Presto concurso? Vou para Dubai ser garçom? E se eu sequer passar no exame?

As dúvidas são muitas, e creio que não são só minhas. Do mesmo modo que terminar a faculdade de Direito te abre um enorme leque de opções a seguir, te deixa numa dúvida tremenda do que fazer e pra onde ir.

A certeza é uma só: estou apenas no começo da jornada…

PS: Eu sei que o post ficou meio fru-fru e pessoal demais.
PS2: Na foto: a turma que eu me formei, depois de ziguezaguear por quase todas as turmas da faculdade.

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PEC 260 (quase) arquivada!

Publicado em 2 de dezembro de 2008 na categoria concursos.

Barack Obama, presidente eleito dos EUA, durante as primárias lançou a música “yes, we can” no youtube e o sucesso foi tanto que acabou por virar seu segundo slogan.

De fato, “Sim, nós podemos” é uma frase de efeito muito boa. Faz nascer aquela força oculta nas pessoas que não acreditam em mais nada, aquele sentimento de que a pessoa pode fazer alguma coisa para mudar algo ruim.

Aqui no Brasil, em junho desse ano fiquei sabendo de uma PEC que tramitava pelo Congresso Nacional, a PEC nº 260/2008, que tinha como escopo tornar constitucional a exigência da idade mínima de 35 anos, cumulada com a experiência advocatícia de 10 anos, no mínimo, para quem pretendesse ingressar na magistratura ou no Ministério Público.

Minha revolta foi tamanha que escrevi um post-desabafo aqui no blog, mandei vários e vários e-mails para todos os deputados que assinaram o documento, avisei todo mundo na faculdade, no trabalho, enfim, tentei tornar a coisa pública, e convoquei todo mundo para protestar.

Diversas pessoas por aí fizeram o mesmo, até criaram um blog só para protestar. Associações ligadas à Magistratura e ao Ministério Público se manifestaram contra a PEC. Os concurseiros, por motivos óbvios, também entraram na briga com unhas e dentes.

Não sei bem ao certo o que aconteceu, se os e-mails surtiram efeito, se alguém poderoso interveio, ou se simplesmente o bom senso deu seu sinal de existência na Casa, mas o fato é que o deputado federal Décio Lima, autor do projeto, encaminhou ontem (01/12/2008) um requerimento para a retirada da proposta!

O projeto ainda não foi arquivado, mas muito provavelmente será. De acordo com o art. 104 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, cabe ao presidente da Casa deferir, ou não, o pedido de retirada da PEC. Entretanto, como o próprio autor da proposta está pedindo a retirada, eu acho difícil o pedido ser indeferido.

De qualquer maneira, fica aqui meu agradecimento a todo mundo que, assim como eu, encheu o saco dos deputados para que arquivassem a referida PEC. Yes, we can. Ou melhor: Yes, we did it!

PS: A boa notícia foi dada pelo leitor Roberto. Obrigado!

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